Função do CA

(Em resposta a última relatoria do CAII, gestão “Pulga Atrás da Orelha”).Eu acho que quando as coisas perdem sentido um bom jeito de resgatá-lo é por sua história, é vendo como que o pessoal lá traz fazia, então, a pergunta que a gente sempre acaba retomando é: dá onde surgiu o CA? Já fiz parte do CA, acho que quebrei muito a cara, acho que poderia ter feito muita coisa diferente, mas não me arrependo nem um pouco porque aprendi muito e sustento tudo que desde lá acreditava. Muitas dessas questões que se colocam nós também nos colocávamos. Lembro das conversas que eu tinha com o Alan e a gente se perguntava se deveria ou não entrar para o CA justamente por isso, porque o que a gente queria fazer não precisava necessariamente do CA para ser feito.

Da nossa parte, ainda com as divisões que ocorreram, conseguimos dar prosseguimento ao que a gestão passada conquistou que foi a regularização de toda a parte burocrática, depois de tanto falarem que o CA precisava de um CNPJ. É por meio dele que o CA existe enquanto entidade legal de representação dos alunos da PsicoUSP, com uma conta em Banco para onde ia o dinheiro quando o CA recebia uma quantia mensal da diretoria. Já na gestão 2009 não recebíamos mais essa verba, o que foi uma questão bem complicada, principalmente com relação ao pgto. do contador para que fizesse todo o balanço e a declaração de isenção do imposto de renda. Tanto, que para a gestão posterior, fomos falar com a Assistência Financeira do Instituto para ajudar nesse trabalho para que não houvesse a necessidade desse gasto.

Gastamos com sofás, limpamos e organizamos a vivência e a salinha dos fundos, catalogamos parte do patrimônio do CA (o que se encontra no computador dentro da salinha). Nessa salinha, inclusive, tem muito material da história do CA, com fotos com as quais chegamos a tentar organizar um sarau que não deu muito certo. Realmente, festa quem sabia fazer era o pessoal da gestão 2008.

Chegamos a organizar algumas Reuniões abertas, as quais sempre se voltavam para a questão da verba do CA, como o CA poderia conseguir mais verba para conseguir levantar seus projetos, que na época estavam muito envolvidos com a melhoria do espaço da vivência.

Como na nossa gestão havia muitas divergências, uma parte do CA chegou a montar um grande evento com diversas palestras durante a semana da luta antimanicomial. Antes, alguns eventos, como a semana de psicologia eram organizadas pelo CA, hoje, quando existem são feitos por comissões a parte. E acho que isso também ajudou a dissolver o CA, porque quando olhamos para traz vemos que o Cursinho da Psico foi criado pelo CA. Então, como todas as coisas passaram a ser feitas a parte do CA, o CA inevitavelmente foi se esvaziando de sentido.

Até mesmo viagens para encontros estudantis e outros eventos que usavam a verba do CA como meio, hoje podem ser feitos com verba do Instituto, como Pró-Eve ou Pró-Int.

Isso não significa que o CA não tenha função, mas que a demanda dos alunos se modifica, as exigências mudam. Todo ano vemos as mesmas reclamações por parte dos alunos se repetindo: “grade horária que não permite nada além da psicologia, nem mesmo estágios na área, nem mesmo criar uma rotina”; “disciplinas pré-requisitos que não parecem ter qualquer ligação”; “problemas em relação à didática dos professores”; “guerrinhas interdepartamentais e teóricas”; “pouco contato com a ‘prática’ no início do curso”; e por aí vai todo o conjunto de práticas que se repetem e se legitimam por meio de efeitos do reconhecimento de que tudo isso é óbvio e natural, ou em nossas palavras: “ah, meu, é assim né, sabe como as coisas são na Psico!”.

E nós como lidamos com isso? Matamos aula, e não estamos certos ou errados em matá-las, mas fazemos isso por algum motivo. E não há um só motivo, há vários, depende de cada aluno, mas há motivos em comum, e quem sabe aí não possa entrar o CA de hoje. E sem essa história de precisamos mobilizar os alunos, sem essa história de os alunos não participam, porque é a mesma reclamação que os professores tem de nós, de que não temos interesse, de que não participamos, de que não lemos os textos. No fim, esse discurso só repete o daqueles que nos opomos.

Acho que uma coisa que a gestão de 2008 passou pra nós de 2009 e que eu fui aprendendo com o tempo é que o CA até pode ser formado por todos os alunos, mas a gestão é aquela de 3 a 9 pessoas que toparam assumir a responsabilidade. Uma das questões que rolava muito na gestão 2009 era justamente a de como dividir essas responsabilidades, o que passa por uma divisão de tarefas, quem é que faz o que, quem que se responsabiliza pelo que.

E dentro dessa responsabilização eu entendo que é preciso que haja confiança, porque se tudo depender de discussão pra acontecer, a gente não só não consegue chegar muito longe, mas acaba caindo numa necessidade de argumento pra tudo, e se tudo precisa de um argumento a possibilidade de experimentar, de errar, vai sendo perdida.

Isso ajudaria também porque uma das coisas que nos esquecemos de levar em consideração é que a gente precisa estudar, temos textos pra ler, temos estágios, temos que dormir, sair, e por aí vai. Então, se já tá difícil fazer cumprir com a obrigação, que eu entendo que seja dar manutenção ao que foi passado pela gestão anterior, vai ficar mais difícil ainda tentar fazer outras coisas, e vai ficar ainda mais difícil quando as próprias pessoas do CA não se sentem bem em estar no CA, por que como que a gente quer que os alunos participem se a gente mesmo não se vê naquilo, se a gente mesmo não se sente bem por estar ali?

Eu acho que tem muita coisa legal acontecendo na Psico, e dá pra aprender muito com essas coisas, e, principalmente, com as pessoas. Claro que quando a gente entra na faculdade a gente tá com gás pra fazer coisas, a gente passou na Fuvest, só nos resta o mundo agora, o mais difícil pra nós já passou, num estamos muito dispostos a ouvir as pessoas, é só quebrando a cara que a gente vai vendo o que precisamos aprender. E é aí que eu acho que essa divisão de tarefas ajude, porque quando as coisas não dependem tanto de discussão, quando a gente se coloca mais frente a um risco que temos que assumir, quando a gente pode experimentar mais, aí começamos a perguntar pro outro o que ele faria.

A experiência mais legal que eu vivi durante a gestão de 2009 foi justamente quando a gente montou um teatro pra apresentar o CA. Foi ali que a gente entrou de cabeça, e as divergências apareciam, era difícil, mas a gente foi encontrando caminhos, foi experimentando, chamando até gente de fora do CA para nos ajudar, o que foi muito legal. Foi ali que eu vi e vivi um CA tal como imaginamos, com debates, discussões e ação, porque as discussões eram pautadas no que a gente tava fazendo, e o que que a gente poderia fazer, o que que a gente poderia tentar, e tentávamos, sem que uma bandeira se sobrepusesse as outras, mas enfrentando confrontos.

Uma coisa que tenho visto e achado legal nos Rds é a possibilidade dos alunos virem falar conosco pessoalmente. Já no caso do CA, nunca se sabe com quem do CA podemos falar, não sabemos quem são os membros do CA. Enquanto os e-mails dos Rds estão lá expostos no mural, e as pessoas usam, no caso do CA não existe um meio, se existe desconheço. Na gestão 2009 tentamos montar um blog que não deu muito certo, já o dos Rds tem funcionado até que bem. Não que todo mundo leia, mas é mais um meio para se chegar aos Rds, é possível saber sobre o que acontece no meio dos Rds, é possível falar com os Rds, e com o CA? Como falar com o CA? Quando que devo falar com o CA?

Pra terminar, acho que uma coisa legal é em vez de nos perguntarmos por que os alunos precisam do CA é talvez perguntar por que o CA precisa dos alunos?

Desculpa aí se falei demais, e valeu se você chegou até aqui, espero que sirva pra alguma coisa, acho que de algum modo serviu pra mim, foi legal rever todas essas coisas e poder compartilhar.

Danilo (08)

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