Fórum de Medicalização e Frente de Luta Antimanicomial

Ontem fui a dois encontros de dois grupos que buscam agir na mobilização de pessoas e entidades fortalecer o poder público.

Junto a Dri, fui pela manhã no Fórum de Medicalização, de iniciativa e coordenação da profa. Marilene Proença, e que parece ter como proposta juntar diferentes frentes e entidades que de alguma forma sofram com esse “processo que tranforma, artificialmente, questões não médicas em problemas médicos”, como fica definido o conceito de Medicalização no Manifesto do Fórum.

Dentre os vários informes, que me deixaram um tanto confuso e várias vezes perdido na reunião, falou-se do Ato Médico, que pretende ser uma regulamentação da medicina, mas que, antes de vir como legitima defesa dos direitos da sociedade, vem como uma garantia de mercado para os médicos, na medida em que outra profissões tem conquista um espaço que antes era exclusivamente dos médicos.Assim, comentou-sesobre a necessidade de uma regulamentação das profissões envolvidas com as áreas da Saúde, no entanto, o Ato Médico ao tornar, por exemplo, o diganóstico privativo dos médicos, contrariando a política de Atenção Básica que propõe que o diagnóstico seja resultado do trabalho em equipe multidisciplinar, surge como um retrocesso ao que vem sendo feito.

Nesse sentido, comentaram a respeito das discussões sobre Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, em que alguns médicos parecem ter reivindicado que o tratamento de pessoas com autismo seja feito exclusivamente por terapeutas Cognitivo Comportamentais. Quem souber mais peço para que deixe sua contribuição nos comentários.

Mais a tarde, por volta das 14, 15h, fui a reunião da Frente de Luta Antimanicomial, e em meio ao sono e cansaço me chamou a atenção Maria Solange, militante da População de Rua e que com uma disposição incrível para uma tarde de sábado chuvoso, levantou várias questões pertinentes sobre os temas pautados.

Uma deles foi a ideia de criar um curso formação para quem participa da frente, onde fossem discutidos temas, na proposta de uma educação permanente, por meio de oficinas, workshops, filmes, uma ideia bem bacana, que pode ajudar a estimular as pessoas a participarem.

Solange estava bem incomodada com a baixa adesão das pessoas da Frente ao que vem acontecendo no tratamento dos usuários dos serviços de atenção psicosocial. Enquanto as pessoas discutiam como conseguir a adesão de novos membros, comentando que uma boquinha livre sempre ajuda e como poderiam financiar um lanchinho, Maria Solange comentou sobre a saúde ser um Direito Humano, não mercadoria, que não queria que a bajulassem, pois não é cliente, mas uma usuária. Questionou então por que os conselhos de enfermagem, tão cheios de dinheiro, não abrem os cofres para esses movimentos, não existindo qualquer discussão sobre políticas de saúde mental.

Dentro dessa discussão sempre aparece o problema das Políticas de Combate às Drogas virem no sentido da higienização, com ajuda da mídia, que mistifica o crack como totalmente corrosivo ao mostrar pessoas em cadeiras de rodas que teriam perdido a mobilidade por causa da droga, contribuindo para que ações violentas como as que ocorreram na crackolândia tenham grande apoio da população em geral.

No que diz respeito da formação da militância, acredito que é muito importante profissionalizar, para que as pessoas que ali estejam, com toda sua boa vontade, recebam pelo que fazem, pois a partir do momento em que as pessoas vem de um lugar profissional há valorização do seu trabalho e a possibilidade maior de questionamento das práticas, enquanto que o trabalho assistencial esbarra muitas vezes na culpa do usuário pela falta de adesão. Além disso, profissionalizar permite questionar a própria formação desses profissionais, o que precisa ser uma postura dessas frentes e fóruns.

A formação do psicólogo é muitas vezes tida como uma formação elistista, já que muitos acabam abrindo seus consultórios e atendendo pela via particular. No entanto, apenas nos últimos anos que empregos como o de Sócio Educador tem surgido. No entanto, podemos ver que quando se trata de um profissional, de algum modo, questiona-se a sua formação. No caso do trabalho assistencial, como o realizado por algumas entidades religiosas, culpa o usuário do serviço, pois não questionamos as práticas daquele que estão como voluntários.

Acredito que essa discussão precisa ser mais bem levantada nesses meios de mobilização social, do contrário, as pessoas vão sempre tendo outras coisas mais importantes, já que a militância se torna desgastante e inviável.

Pra encerrar, deixo um vídeo da pediatra Maria Aparecida Affonso Moysés, no evento “Medicalização da Educação, da Saúde e da Sociedade: a quem interessa e como enfrentamos essa questão?”, no Centro de Saúde Escola do Butantã “Prof. Samuel B. Pessoa”.

Até mais!

Abraços!

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