Deformativo: A busca ativa do diálogo não-violento, a segunda visada de um eixo em três tomos

Esse texto continua tendo a intenção de se desenvolver em três partes. Com o adicional que essa parte ficou muito grande, e que por isso a dividi em quatro letras (a, b, c, e d) para facilitar a leitura. E se imprimir, recicle, repassando para outrém.

No primeiro tomo, da coluna do dia 7 de Fevereiro, eu havia insistido com vocês na problematização do nosso currículo, especialmente no que toca a autonomia diante de diversas modalidades de discurso. Dessa multiplicidade de discursos, fiz notar duas dimensões: numa dimensão varia entre aspirações de objetividade e subjetividade (de ser um universal que busca falar verdades sobre o particular, ou de ser um particular que busca se relacionar com uma categorização universal), e noutra dimensão varia de corrente-a-corrente teórica e de pessoa-a-pessoa. Essa rede de discursos seria aquilo com que o aluno se depararia na vida real pós-universidade, e a autonomia diante disso seria fundamental.

A questão da formação se pautaria na possibilidade do exercício de um real diálogo diante dessas diferenças todas: o diálogo com pessoas, que leva em conta a teoria mas está apto a alterá-la, o diálogo com a teoria que leva em conta a prática, o diálogo puramente isento de teorização (uma escuta sensível) e também um diálogo das teorias entre si.

O que almejo hoje é inserir a questão da violência no interior da discussão. Explorando as diferenças entre violência e agressividade, não procurarei encontrar uma definição exata e definitiva para qualquer desses dois termos. Sugerirei uma possível definição, em que essas duas coisas separam-se de maneira bastante visível, e tentarei articular as relações e confusões que elas mesmas compõem nessa diferenciação.

Diante disso, espero estar apto a fornecer uma ideia de não-violência mais complexa que a mera justaposição do advérbio com o substantivo. Essa ideia estaria, em minha hipótese, profundamente ligada à sugestão para o currículo, que fiz na primeira visada deste texto, e igualmente ligada a uma noção de Centro Acadêmico e de vida universitária. Diante disso, algumas medidas práticas que foquem a multiplicidade que essa vida universitária oferece ficariam evidentes; esse movimento seria o do terceiro tomo.

Tomo Dhois – Da violência e da agressividade

… duvido que seja certo e necessário ir tirar do fundo de nós todos a ferocidade adormecida, aquela ferocidade que se fez e se depositou em nós nos milenários combates com as feras, quando disputávamos a terra a elas […] Este teu irmão que estás vendo, também fez das suas, também foi descobrir dentro de si muita brutalidade, muita ferocidade, muita crueldade… eu matei, minha irmã, eu matei! E não contente de matar, ainda descarreguei um tiro quando o inimigo arquejava a meus pés…”

[Lima Barreto, Triste Fim

de Policarpo Quaresma, p.124]

a) Minha mentira sobre não citar teoria se revela: o reconhecimento em Hegel.

Escolhi uma epígrafe longa, mas porque deposito esperanças em conseguir trabalhar esse caso – especialmente a fala de Policarpo – de forma satisfatória. Que há aí? Violência ou Agressividade? O que ele explicita, o que ele sofre?

Num primeiro momento, precisamos abrir mão de acertar a resposta a essa pergunta. Se concordarem comigo, a própria falta de certeza da diferenciação entre esses termos deixa uma questão no ar, a de que a relação entre eles é mais profunda do que nos aparece num primeiro momento. É como se violência e agressividade estivessem num ponto nebuloso da vista, meio misturadas, meio difíceis de distinguir.

Não temos dados suficientes para que Policarpo nos responda essa questão, mas qual dado falta? Venho sugerir um olhar um pouco mais demorado a o que é a questão do “reconhecimento” em Hegel.

Nesse autor, um dos momentos fundamentais da experiência de “ter consciência”, ligada à experiência do próprio saber, é o momento do encontro entre consciências-de-si. As consciências-de-si não passam de consciências que, ao buscarem arrancar exaustivamente verdades de seus objetos, só encontraram no fim desse longo processo o fato da própria consciência produzir esse “fantasma da verdade”, e de ela encontrar como única verdade a certeza de si mesma (de outro modo, encontra, como maior verdade, unicamente seu ânimo ou insistência de encontrar alguma verdade que ao mesmo tempo está contida no seu puro objeto de pesquisa, mas também o transcende, por aspirar ser uma verdade universal sobre o objeto).

Quando as consciências-de-si se encontram, a certeza-de-si-mesma que cada uma porta abala-se diante da certeza-de-si-mesma que a outra possui. Quer dizer, entra em jogo o quanto uma delas reconhece a outra enquanto consciência-de-si, ou seja, enquanto ser humano. Um bom exemplo, que não é meu, é a trama delicada que se forma ao pensar os jogadores de xadrez.

Eu, me entendendo como jogador de xadrez, reconheço determinadas pessoas como “bons jogadores de xadrez”, e aí constituo um corte populacional (só uma parcela do mundo é “bom jogador de xadrez” para mim); posso considerar um bom jogador qualquer pessoa que saiba mover as peças do modo correto, ou apenas os grandes mestres. Esse momento de reconhecer (por exemplo) Adamastor como bom-jogador confere a ele não só o direito de ser reconhecido como bom jogador de xadrez por mim, mas também de reconhecer mais membros para esse meu “nicho” populacional criado. Afinal um bom-jogador para Adamastor estará ligado ao meu próprio reconhecimento.

E de fato, Adamastor considera Bustamante um bom enxadrista, e o reconhece enquanto tal. Minha rede de reconhecimentos acaba de se complexificar e expandir. Porém a liberdade de Adamastor é tamanha, diante do meu reconhecimento, que pisamos num campo bastante curioso. Adamastor pode simplesmente não me reconhecer como bom jogador de xadrez. Eu o reconheço, mas não sou por ele reconhecido. Em tese, essa falta de reconhecimento dele diante de mim não deveria valer muito, afinal ele não me considera nem apto a reconhecê-lo, não reconhece a validade do meu próprio reconhecimento. É como se eu fosse um macaco que joga xadrez: é claro que ele joga melhor que eu, e pouco importa que eu reconheça isso.

O meu reconhecimento é banhado de uma assustadora concessão de autoridade a quem eu reconheço: a autoridade de constituir uma comunidade de pessoas reconhecidas, que por sua vez também terão a autoridade de reconhecer quem elas quiserem como membros da comunidade também. Com sorte, seja só Adamastor que não me reconhece como um bom jogador de xadrez, e toda a comunidade que ele constituiu (reconhecendo os bons-jogadores-para-ele) me reconheça; o não-reconhecimento dele sobre mim perde parte de sua autoridade, porque o reconhecimento de cada indivíduo parece ter saído, em grande parte, de uma relação específica para fazer parte da teia comunitária.

Onde quero chegar? As relações sociais (comportamento social em geral) são tecedoras de teias complexas de reconhecimento, que instituem uma espécie de “contrato social”, mas que só pode ser pensado como contrato levando em conta teias específicas de reconhecimentos instituídos.

Isso seria, de outro modo, um olhar para as particularidades das relações em questão; mais que uma lei geral de reconhecimento global, esse “contrato social” é como o “Acordo de Malandro” do Bezerra… ao mesmo tempo escapa à legislação, é mais rico, detalhado, compreensível e próximo da realidade dos envolvidos. Dois lados de uma relação reconhecem-se mutuamente enquanto alteridades, se reconhecem a si mesmos enquanto (chamemos assim) “si-idade”, e reconhecem aquelas que seriam as normas acordadas para o interior dessa relação, para que o reconhecimento se mantenha.

Se a relação de reconhecimento é uma relação de um indivíduo ou comunidade com o seu alter, seja também este alter um indivíduo ou a comunidade, arrisco dizer que o que constitui a violência é a falha grave (trágica) no interior dessa relação. Um ato em que um dos lados é ferido em suas expectativas de reconhecimento pelo outro, em que a relação perde o espaço sadio que ocupavam a alteridade, a si-idade e a comunidade.

É por isso que a violência pode ser contra uma outra pessoa, contra uma comunidade ou contra si mesmo, é por isso que pode ser atribuída a questões individuais e coletivas mas sempre remontada em última instância aos termos em que se deu a relação e ao momento em que ela falhou em dar conta de seus componentes.

b) a agressividade, a violência, e um suspiro de semialívio

Quis desarmá-la com ironia e disse risonho: ‘estás no teatro?’. E ela lhe respondeu logo: ‘Se é só no teatro que há grandes cousas, estou.” [Lima Barreto, Triste fim…, p. 135]

É claro que a explicitação de todas as teias relacionais, de tudo aquilo por que somos reconhecidos ou reconhecemos cada um dos nossos próximos, das leis de cada ambiente e mesmo de quais comunidades participamos ou não, isso é um trabalho tão complexo e desencantador que absolutamente não deve ser a meta de qualquer pessoa que queira continuar vivendo de maneira minimamente feliz.

Mas é justamente a nebulosidade disso, que a meu ver está diretamente ligada à nebulosidade da distinção que quero trabalhar nesse texto. Como é que eu posso saber se um ato é violento, se ele fere o reconhecimento meu sobre mim mesmo, sobre outra pessoa ou sobre a comunidade; a agressividade fere o contrato estabelecido por Policarpo em relação à sua comunidade, aos seus outros ou a si mesmo? E se essa estrutura ou rede formada não só é baseada em fantasias do que são ou pensam as outras pessoas e a comunidade, mas também é fundamentalmente oculta (porque complexa) e complexa (porque oculta)?

Basicamente, sabemos se o ato feriu quando o ato de fato acaba ferindo o reconhecimento. Tentar definir a violência sem os envolvidos nela, e sem a consulta ao que foi esse ato e ao que ele gerou nas relações comunitárias em questão, é uma tentativa de universalizar a violência que acaba recaindo na exclusão das pessoas da própria situação de violência. É isso que nos recusamos a fazer com Policarpo, dizer que ele foi uma pessoa violenta, antes de ouvir um pouco mais sobre o contexto, a comunidade em que se encontrava, e suas relações.

A ideia de violência não pode ser hipostasiada em um manual de atos violentos que desconsideram indivíduo e cultura (isso tudo me lembra muito um texto sobre o “Abril despedaçado” tratado na disciplina de AEC II, em que homicídios cruzados em famílias eram perfeitamente comuns e faziam parte de toda a estrutura social daquela comunidade).

Tendo a violência como uma ofensa à relação de reconhecimento e ao “acordo” que ela acarreta, venho colocar a agressividade como residente na extremidade oposta. Para mim, e para um uso útil desses conceitos, entender agressividade como uma radicalização das condutas (levando em conta a relação em que essas condutas se inserem e todos os seus envolvidos) dá-lhe o tom estilístico e estético que acredito combinar com a ideia do comportamento agressivo (num sentido completamente não-referente àquele que esse termo teria para a psicanálise ou para o behaviorismo que conheço).

A real agressividade seria aquilo que, numa perfeita consonância com uma relação comunitária, traz algo forte o bastante para chocá-la e possivelmente levá-la a alguma reconfiguração.

Enfim, só se sabe se algum comportamento social foi agressivo ou violento de acordo com suas consequências. É claro que uma história desse comportamento, das relações e da comunidade podem fornecer um bom mapeamento para a previsibilidade das consequências, e talvez seja esse o ponto em que a relação de reconhecimento mútuo, para Hegel, abre o espaço para a autorização mútua da aplicação de conceitos (um “acordo” sobre o que podemos tratar como sendo a verdade do objeto de pesquisa [acima em bordô] que a consciência não havia conseguido encontrar nele) e, por extensão, constitui o espaço social da razão.

c) Quando entra o cinema

O esquema delicado que violência e agressividade constroem por conta do mistério que é a estrutura social e o fantasma que as outras pessoas sustentam de nós, talvez só seja agradável de pesquisar exemplo-a-exemplo. E acreditando que a ficção é uma maneira mais realística de busca do mundo material, vou sugerir por aqui o olhar sobre alguns filmes.

O primeiro filme, que já foi prenunciado em imagens tomo hum, é Psycho (“Psicose”) de Hitchcok. É claro que esse filme (e esse diretor) têm muito mais facetas complexas e psicanalíticas para nos fornecerem, mas esse trabalho deixarei para outros. Para mim o interessante é a violência em seu exemplo mais simples, que aparece quando Norman Bates inicia sua sequência de assassinatos.

A teia simbólica do reconhecimento, que o colocava diante de Marion como um hoteleiro meio excêntrico, colecionador de pássaros e um tanto complexado, é invadida por um elemento que não fazia parte de qualquer acordo, e que invade o repouso tranquilo do que Marion entendia por aquela relação: ela não estava preparada para o clássico e secularmente satirizado stabbing no chuveiro.

Considero esse exemplo bom pelo fato de Bates ser uma pessoa psiquicamente doente, um “psicótico”, como o classificam no filme, mas isso fazer pouca diferença, de fato. A violência não deve ser tratada na chave da culpa, na chave do “agressor” e da “vítima”, e isso porque só pode ser culpado quem controla as condições do reconhecimento e da comunidade a ponto de poder “quebrar” com isso de maneira puramente intencional: arrisco que ninguém.

Todo o crime é justificado. mas toda justificativa de crime é incompleta e certamente perdeu um dado fundamental da realidade em que o crime ocorreu. Bates matava por sua mãe, mas simplesmente perdeu o dado de que a mãe era ele próprio, e que ele era adulto o bastante para não precisar obedecê-la.

Quem viu Dancer in The Dark (“Dançando no Escuro”) de Lars von Trier certamente experienciou na pele a queda do reconhecimento e a invasão violenta daquilo que a relação interpessoal deveria conservar. Bill, o sujeito da esquerda na próxima foto, é o primeiro agente da violência, roubando o dinheiro de Selma (Björk), que nele confiava e que precisava desse dinheiro por motivos que o próprio Bill conhecia.

Diante dessa violência (que, reparem, não é física, mas destroça a relação e todo o universo de Selma como nenhum murro seria capaz de fazer), os termos da relação estão desestruturados, e o que Selma vê como horizonte possível para atender aos ideias que sempre tivera (o pagamento da cirurgia de seu filho) é o agoniante ataque físico a Bill, que traz o pavor ao expectador e o congela em aflição.

Porém a maior violência de Selma não é contra Bill. Não há reconhecimento a ferir, é como se ele fosse um outro diferente daquele com quem ela se relacionava, que ela reconhecia e que era reconhecido por ela dentro de um acordo em que estavam claras questões como as necessidades fundamentais dela (o dinheiro da operação do filho) e dele (manter-se vivo, em última instância). Selma atacou um Bill novo, selvagem como um animal que surge inesperadamente e ataca aquilo que há de mais precioso para ela.

A maior violência de Selma foi consigo mesma. É por isso que cada golpe desferido contra Bill angustia não por nos identificarmos com o atacado, mas por sermos instantaneamente afetados pelo próprio estado de pavor de Selma. Com isso percebemos o poder do ato violento de acarretar mais violência, na medida em que uma perturbação na teia de relações parece repercutir como uma onda, que utiliza-se do material relacional para se propagar, mas persiste em sua energia devastadora. A segunda violência (uma verdadeira autoviolência) foi mero produto da primeira.

Além disso, a agressividade da cena não pode ser deixada de lado. Mas eu insistiria em enxergá-la fora da relação Bill-Selma para capturá-la aí onde a tela conversa conosco. Há, com o próprio filme, um contrato firmado. É como se percebêssemos que o filme toca “Dó-Ré-Mi-Fá-Sol-Lá-Si” e inferíssemos, pela repetição apenas dessas notas naturais, que trata-se de um filme afinado em Dó Maior.

Captamos uma harmonia, e pacificamo-nos na frequência das ondas que batem em nosso pequeno barco. Não é que o problema sejam ondas, ou seja, o filme nos afetar, mas sim uma onda que vem inesperada em tamanho, duração, ou qualidade. É uma dissonante Dó#, ou uma onda que parte da praia e não do oceano mesmo. É um momento em que a tela nos agride, radicaliza sua atuação e fixa uma ideia forte, assustadora, que por um momento nos tira da relação para depois devolver-nos a ela com outra visão.

É claro que para um filme há a prerrogativa de que todo o reconhecimento construído entre espectador e tela é de responsabilidade do espectador, e que isso parte da fantasia descarada deste. Afinal, se há algo que todos sabemos sobre filmes, é que eles são ficção.

Bem, é injusto continuar explicando a agressividade pela estética do próprio filme e sua repercussão no expectador. Vou buscar um exemplo mais inquietante em Fight Club (“Clube da Luta”) de David Fincher, especificamente no momento em que narrador-”Jack”, diante de seu chefe, simula que o chefe o está espancando.

A própria mão possessa que o esmurra e o agarra pelo colarinho é a corporificação da agressividade que o Clube da Luta estava fazendo chamuscar em seu coração; agressividade direcionada a ele próprio, e que encontra sua descarga máxima na cena das múltiplas explosões que fecha o filme. Se essa descarga terá sido violenta, se mais ou menos violenta que o “status quo” da sociedade contra a qual se dirigia, não somos capazes de saber. Sabemos que envolve a mudança radical na estrutura das relações, e no que o narrador reconhece como seu “si-mesmo”, sua si-idade, com seus desejos, condutas, ideais e valores.

    1. Um re-olá e um adeus a Policarpo

Não devo sentir muito por ter estendido o texto até aqui. É quem chegou até aqui mas sente-se mal pelo tamanho, que deve sentir muito por si mesmo, por ter crido que eu seria diferente.

Devo ao texto ainda a solução do caso de Policarpo. E a dou.

Bem, para a linguagem da guerra, e para o que se espera de um soldado inimigo na guerra, os tiros e a animalidade não são nada violentos. É o que se tem em mãos para aquele momento, é o que se espera. Tampouco são agressivos. Isso porque a “violência” da guerra não tem subjetividade nem alteridade, não tem estética ou estilo.

A guerra é violenta enquanto fenômeno, apenas, e violenta contra a própria humanidade. A humanidade não pode dirigir a si mesma uma quebra tão grande à própria noção de ser humano como é o caso da guerra, que instrumentaliza-se das vidas, reduzindo-as a meras operadoras de objetos bélicos, em nome de uma ou outra sagrada abstração que ninguém jamais conheceu.

Por outro lado, Policarpo comete grande violência contra si mesmo. Não está sendo reconhecido, e nem reconhecendo a si mesmo e satisfazendo seus ideais patrióticos, enquanto combate “pelo Brasil” no front contra a insurreição. A violência está aí onde ele atira, mas quando atira fere a si mesmo, pois a guerra em que ele se envolveu é incapaz de cumprir com o prometido – a satisfação do desejo de elevar o Brasil a uma grande potência (quase que a nova Canaã, onde jorra leite e mel).

Curioso é ver que para Lima Barreto, parece que de modo que talvez nem ele soubesse, a questão do Reconhecimento aparece, espremida, naquilo que encaminha o livro para o seu encerramento e sua ideia central. É quando Ricardo-Coração-dos-Outros, grande amigo do Major Quaresma (Policarpo), está apercebendo-se de sua paixão pela afilhada do Major.

“Ele então pensou com admiração naquela moça, que por simples amizade se dava a tão arriscado sacrifício, que tinha a alma tão ao alcance dela mesma e a sentiu bem longe desse nosso mundo, deste nosso egoísmo, dessa nossa baixeza, e cobriu a sua imagem com um grande olhar de reconhecimento” [idem, ibidem, p.135]

Boca-de-Betoneira (10)

Anúncios

Um pensamento sobre “Deformativo: A busca ativa do diálogo não-violento, a segunda visada de um eixo em três tomos

  1. Interessante o texto, extenso, cansativo mas informativo. Mesmo lendo ainda não sou capaz de assegurar uma posição, e longe do sentimento culposo, apenas a expor.
    Sabe que te acompanho entre-linhas do cotidiano, gosto da atitude.
    Sem precipitações, desejo sua perseverança na área.
    Grande abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s