Deformativo: Cronicoluna Desrepresentativa Sabadal do Betão

Sinto muito, mas é isso mesmo. Tenho a pretensão narcísica de escrever, periodicamente, alíneas de interesse público difíceis de ler, exatamente aqui, exatamente a partir de hoje. É claro que não vai ser sábado, nem todo o sábado; percebo que nesse mundinho safado não se fixam prazos para cumprí-los, realmente, mas para ter um bom-marco para fingir sentir-se mal por não estar fazendo aquilo que não se quer tanto assim.

Martelos e Pregos, isso é “tinta vermelha” na piada que o Zizek repete a cada 3 artigos

Deformativo é uma brincadeira com a outra categoria, “Informativo”, e com a pretensa imparcialidade da imprensa. Pensa: não há imparcialidade, porque não há totalidade. Há apreciações mais e menos grosseiras. Há assimetrias feias, e assimetrias bonitas. Deformo mostrando a que vim, para talvez assim fazer menos feio; exagero minha deformação para um dia ser como um expressionista da linguagem [acadêmica?].

Daí porque, também, cronicolunas. Não consigo fechar acordo com uma ou outra, sei só que contista não dou certo, nem poeta, sou metafísico demais e demenos. Melhor ficar no meio-termo, trocar de dialeto quando eu cansar, mas sempre tentando ser compreendido o suficiente para que o bicho-chato-aí (aqui) passe para a próxima linha.

Por fim, desrepresentativa, é o que temos de mais polêmico, e isso porque proposital. Acredito que essa coisa de eu ter que exprimir o que os estudantes pensam, na medida em que sou a imprensa da entidade que devia representar esse pensamento enquanto síntese das múltiplas determinações, é demasiado tautológico para precisarmos de seres humanos a fazer. Recuso-me às tautologias, especialmente pelo final delas, esse sufixo que prescinde mentes pensantes, essa lógica separada do logos, do verbo, da doxa, a lógica que dança sozinha.

Não seria justamente o tauto — seja lá o que ele significa — o mais interessante? E esse tauto [também] é a contradição. A síntese das múltiplas determinações desse “vilarejo medieval” com “comportamentos sociais prafrentex” (de outro modo, a Pervertida PsicoUSP) é a explicitação das contradições que realmente importam. Ser representativo seria escolher algum dos lados da contradição e fingir que não escolheu; eu finjo que escolho, e vou até o fim, mas não abro mão daquele requinte — geneticamente habitante do cromossomo X — de estar por cima, a Vontade de Poder.

Hoje estou feliz porque encontrei, pela primeira vez em minha vida, um texto que utiliza o termo mentalismo que não é behaviorista. Provavelmente, (o teórico-crítico que alguns chamam de reacionário) Jürgen Habermas em seu escrito denominado “caminhos da destranscendentalização” está sujando as estatísticas, sim, mas o fato é que ver crítica/superação do mentalismo creditados a Hegel no século XIX me animaram a começar a escrever periodicamente.

E isso porque li um texto que vira, mais uma vez, de pernas para o ar algumas certezas essenciais minhas. Li um texto que não exprimia meus pensamentos, tampouco sintetizava qualquer contradição. Era simplesmente um texto que eu não estava apto o bastante a ler, ou, não estava apto o bastante a falsificar (pois se leitura e falsificação são sinônimos, mister, como sempre, é utilizarmos as duas). Volto à minha frase roxa, e digo que a questão (para mim, aqui) é uma dupla negativa dela, a de escrever para não-exprimir o que os estudantes não pensam. Mas isso vem para a cena, acontece, sein.

Só para fechar, a reintegração de posse Pinheirinho foi um cocô, a globo é uma privada francesa e o nariz ainda não está surdo, nem perdeu o coração.

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