PM no Campus e Reintegração de Posse

Terça-feira, dia 8 de novembro, foi feita a decupação da reitoria. Houve presença da Tropa de Choque e da Cavalaria da polícia militar, chegando sem qualquer aviso e culminando na prisão de 72 estudantes.

Cheguei à Psicologia por volta das 10h da manhã e encontrei uma roda de conversa, que viria a se tornar assembleia, na Pça do Apego da Psicologia. Houve uma série de discussões, com várias opiniões divergentes, mas o grupo que ali se encontrava insistia em estabelecer alguns encaminhamentos frentes ao ocorrido.

Da discussão, ficou a posição dos alunos contrária a forma como foi feita a desocupação, bem como a pergunta, por que se chegou nessa situação? Vários alunos não concordavam com a ocupação do prédio da reitoria, inclusive porque o método tem se tornado uma prática repetida e feita por uma minoria.

No entanto, os alunos concordaram que isso não justifica a atitude tomada pela polícia, autorizada pelo reitor João Grandino Rodas, e que viria de encontro a uma série de políticas que pouco tem favorecido o diálogo.

Foi colocado que o problema da segurança, contudo, não poderia ser perdido, já que muitas vezes esses acontecimentos ganham grande repercursão, mas as reinvindicações por outras propostas de segurança se perdem em meio a pautas menos prioritárias.

Assim, muitas vezes as mobilizações estudantis se fecham em uma única forma e em pautas que não trazem reivindicações como melhoria da iluminação e maior frequência de circulares, tantas vezes colocadas nesses momentos de crise.

Sabemos de casos de violência como o sequestro relâmpago de uma professora do IP, assim como o assassinato do estudante da FEA, dentre casos de estrupos, roubos e assaltos.

As perguntas que precisamos retormar são: “para que a PM está na USP?” e “qual é a política de segurança prevista neste convênio?”, pois se todas as soluções forem pela via jurídico-criminal não há discussão, não há como se pensar em outras formas de ação frente ao problema da segurança, resultando cada vez mais no esvaziamento da universidade e no distanciamento das pessoas que, lá fora, pouco compreendem porque há alunos que são contra a PM no campus.

Hoje de manhã, assistindo ao Bom-dia São Paulo vi Mariana Perroni perguntando: “se os estudantes são contra a polícia, eles são a favor do quê, então? Quais as propostas que eles apresentam?”

Tanto que uma discussão que aconteceu na assembleia na Psico foi justamente a respeito de como tornar tais propostas públicas, como colocar que neste momento o problema não está em ocupar ou não ou na presença ou não da PM, mas no modo autoritário como a situação foi resolvida.

Para finalizar, a assembleia decidiu escrever uma carta explicitando algumas posições dos alunos da Psicologia que se encontravam lá: contra ação da PM, solidariedade aos alunos presos (alguns alunos parecem ter ido para a delegacia apoiar a manifestação, outros foram para a assembleia no vão da história, que, por sua vez, se encaminhou para a reitoria), contra a ação da reitoria para reintegração de posse, que não abriu para o diálogo.

De maneira geral estão aqui alguns acontecimentos e reflexões.

Danilo (08)

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