Debate do dia 04/11 encaminha Boca-de-Urna nas Eleições

Ao fim do primeiro debate entre chapas ocorrido no dia 01/11, emergiu entre as duas chapas uma divergência acerca do processo eleitoral no que toca a boca-de-urna durante os dias de eleição para o Centro Acadêmico Iara Iavelberg. A solução encontrada foi pautar o tema no debate-conversa que ocorreu hoje, dia 04/11

A Mãe-de-Pano estava munida de fortes críticas e problematizações ao processo de boca-de-urna, defendido pela chapa Para Matar a Sede. Sendo imediato e invasivo, traz dois grandes perigos consigo: o de constranger o eleitor a votar na chapa daquele que o aborda, e a possibilidade de sedução momentânea por um discurso que não tem tempo de ser apreciado criticamente (ou mesmo ainda um discurso físico, como a sensualização “histérica” que alguns conhecem bem, mas que talvez não seja o caso de ocorrer no IP)

Esses dois perigos só podem ser sanados com a ética da chapa que faz a boca-de-urna, que deve se manter longe da posição de acuadora/sedutora/etc, e também pela rima dela, a dialética, a possibilidade de haver uma força que coloque o negativo ou a crítica na informação que uma chapa traz — e isso não pode ser feito melhor que por outra chapa. Essa pluralidade, em que os projetos podem ser comparados e as negatividades de um sobre o outro serem explicitadas. enfim, essa permanência da diferença em cena, é a única maneira de uma formação poder acontecer

Afirmar a boca-de-urna sem consultar a única outra chapa existente pode passar já por um problema bastante sério, pois é afirmar que independente da dialética existir ou não, independente da outra chapa, a campanha no pré-voto será praticada; isso desloca todo o peso para a ética da chapa que afirma a boca-de-urna (como, no caso, a PMS). O espaço resultante de uma boca-de-urna com uma chapa só dificilmente democratiza a informação, pois coloca-na inteira nas mãos de um dos lados, que mesmo comprometido a entregar o material de ambas as chapas, fará sempre com a parcialidade intrínseca que possibilita seduções e constrangimentos, mesmo que sem intenção. É difícil, portanto, ser ético nesses casos.

Na afirmativa que a chapa PMS fez da boca-de-urna, a única maneira de conseguir um equilíbrio foi a Mãe abandonar sua postura de não fazer boca-de-urna e tentar negociar alguma maneira mais sensata desse diálogo-na-época-das-eleições aparecer. Nós colocamos como “ter tempo livre” é uma característica que o modo de produção vigente só permite às elites, e que afirmar a boca-de-urna como um a priori era colocar-nos entre a cruz de deixar o processo de eleição correr banhado pela parcialidade das informações, por conta de uma não-participação nossa, e a caldeira de renunciar das nossas atividades para conseguir esse tempo-livre para transformar o espaço de boca-de-urna no mais plural de opiniões, no mais dialético possível.

A partir daí, a proposta que sustentamos foi a de buscar espaços de boca-de-urna que fossem de fato formativos e plurais. Para isso propusemos que só haja boca-de-urna quando membros das duas chapas estiverem presentes, e que a boca-de-urna se dê em espaços com o menor constrangimento possível; para isso, colocamos que a proximidade da urna constrange os eleitores, e a obstrução do corredor para abordagem dos transeuntes constrangeria por sua vez a nós da chapa Mãe-de-Pano, que defendemos um acolhimento político e um livre-transito e ocupação do espaço público, que estariam gravemente feridos com essa obstrução.

Conseguimos fechar que a boca-de-urna só se dará a partir dos orelhões do corredor e na praça-do-apego. A Chapa PMS por fim tentou propor que a urna ficasse ao lado de fora da Psico, perto do lugar da boca-de-urna. O pedido nem bem foi justificado, foi, aliás, sintomático de algo que parece uma paixão explícita por estar olhando diretamente para o eleitor que vota, por estar perto da urna, a 1 metro se possível, 3 metros no máximo… É claro que o ato erótico do voto, o Gozo da democracia vigente, afeta o passado psicossexual voyeurista infantil de muitos — eu particularmente adoro ouvir o “tiruli-ruliruliruli” do meu voto secreto bienal, é-me melhor que Bach aos ouvidos. Mas a votação no próprio debate revelou uma maioria de pessoas desejando a urna dentro do corredor do bloco B, e a boca dela para o lado de fora.

Agora a Mãe tentará elaborar algo não-tão-monótono para as eleições, que se darão por todos os 5 dias da semana que vem, até onde se sabe.

Thiago Beto Carreiro (10)

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3 pensamentos sobre “Debate do dia 04/11 encaminha Boca-de-Urna nas Eleições

  1. Por que, nas eleições para um CA com 25 anos de existência, é ainda preciso discutir se boca-de-urna faz bem ou mal a todo o processo de eleição de uma nova chapa? Será que durante todo esse tempo os alunos que passaram pelos corredores do IP não chegaram a um consenso sobre esse assunto, ou será que a discussão nem se pôs?
    É desanimador chegar ao nível de propor distâncias, 30 centímetros, um, três, cinco metros para a boca-de-urna, como se estivessem sendo demarcados territórios ou espaços para uma brincadeira.

  2. Discutir esse assunto a meu ver é necessário como vários outros de ordem prática. A questão, penso eu, é “por que a atenção, por que o ato-de-se-ater nele?”. O debate foi muito longo.

    Mesmo que 25 anos de IP tivessem consagrado algum modus operandi, sabemos que a realidade muda, Rafael, e que algumas coisas precisam ser rediscutidas. Pode ser que nos últimos 25 anos, a boca-de-urna nunca havia sido apropriada para constranger os alunos; mas os alunos relatam constrangimento, muitas e muitas vezes, nós da Mãe decidimos levar isso em conta nesse debate.

    Quanto às distâncias, concordo plenamente; até as crianças que brincam muitas vezes medem seus espaços por um misto de, se me permite o trocadilho, bom-senso e consenso. A chapa PMS propôs um consenso de aumentar sua distância operacional normal — a 1 metro da urna, de onde você vê até se a pessoa votou com um X, pintou o quadradinho ou anulou o voto — para 3 metros. Isso não levava sequer em conta nenhuma das nossas críticas e angústias dos alunos acerca do problema da Boca-de-Urna, não pareciam nem ter escutado… Pretendemos que as decisões durante a nossa gestão, se for o caso de sermos, ano que vem, não se paute tanto por mesquinharias!

  3. Pingback: Rrelatoria da Rreunião sobre temas Polyticos (a 06/12/11) « Mãe de Pano

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